Copa América 1989

A 34ª edição da Copa América foi disputada entre os dias 01 de julho e 16 de julho de 1989. Pela quarta vez, a sede do torneio foi o Brasil, que havia sediado pela última vez na edição de 1949. Portanto, era a primeira competição oficial sediada em território brasileiro desde a Copa do Mundo de 1950.


A Copa América de 1989 contou com a participação das dez seleções da Conmebol não havendo, nesta época, a presença de convidados. Desta maneira a fórmula foi bem simples. Dois grupos com 5 seleções cada. Os dois primeiros de cada grupo disputaram um quadrangular final com todos jogando conta todos.



Foram escolhidas quatro sedes, Salvador e Recife (grupo A), Goiânia (grupo B) e Rio de Janeiro (fase final). Vale destacar que a torcida baiana, inconformada com a não convocação de Bobô e o não aproveitamento de Charles por Lazaroni (jogadores que ajudaram na conquista do Bahia do Brasileiro de 1988), não apoiou a Seleção, não só vaiando a execução do Hino Nacional mas causando uma das cenas mais constrangedoras do torneio, quando as câmeras flagraram o momento em que Renato Gaúcho foi atingido por um ovo ao subir ao gramado junto com o time. Segundo algumas fontes, estes atos motivaram a mudança das duas partidas da última rodada do grupo A para Recife, contudo essa informação é equivocada, uma vez que já era planejado a realização destes jogos na capital pernambucana como mostra o vídeo abaixo de maio de 1989, dois meses antes do início do torneio sobre a vistória no Estádio do Arruda.



Favoritos ao título, Uruguai e a então campeã mundial Argentina estavam no grupo B. Os dois rivais tinham ao seu lado Equador, Bolívia e Chile, que corria por fora. Apesar de amplas favoritas às vagas, as duas forças tiveram seus tropeços. Os Celestes perderam na estréia para o Equador por 1 a 0, enquanto os Albicelestes empataram por 0 a 0 com Equador e Bolívia. No confronto direto, vitória Argentina por 1 a 0. No final das contas, a Argentina terminou em primeiro e o Uruguai, graças ao saldo de gols, em segundo. O Chile por sua vez, mediante derrotas nos confrontos diretos, não conseguiu aproveitar os tropeços de argentinos e uruguaios. De consolo, cabe aos chilenos a maior goleada do torneio, um 5 a 0 sobre a Bolívia.

Equador 1 x 0 Uruguai



Argentina 1 x 0 Chile



Uruguai 3 x 0 Chile



Chile 5 x 0 Bolívia




Argentina 1 x 0 Uruguai



Já a seleção brasileira era tida como a única força do grupo A. Porém com o fraco futebol que vinha apresentando nos últimos jogos era de se supor que Paraguai e Colômbia pudessem dar algum trabalho. De fato, o Brasil apresentou resultados medíocres, como o 3 a 1 sobre a Venezuela (vale lembrar que a Venezuela na época era o saco de pancadas sulamericano no futebol) e os empates por 0 a 0 contra Peru e Colômbia. Na última rodada, o Brasil corria riscos de ser eliminado já na primeira fase. A seleção liberada por Lazaroni precisava vencer a seleção que apresentou o melhor jogo neste grupo, Paraguai, para não depender do resultado entre Colômbia e Peru. O jogo entre colombianos e venezuelanos, válido pela segunda rodada marcou pelo primeiro gol na história da Copa América anotado por um goleiro, o colombiano Higuita.


Colômbia 4 x 2 Venezuela



O jogo de estréia contra a Venezuela destacou-se pelo primeiro gol que os venezuelanos conseguiram marcar na história contra o Brasil. Notem a hostilidade da torcida contra a seleção brasileira causada pelos motivos citados no início da postagem.

 Brasil 3 x 1 Venezuela



Partida em que Renato levou a ovada.

Brasil 0 x 0 Peru



O terceiro jogo da seleção também terminou 0 a 0 e mediante a insatisfação dos baianos e o risco de eliminação o último e decisivo jogo ocorreu em Recife.

Brasil 0 x 0 Colômbia



Brasil 2 x 0 Paraguai



No final desta fase, Paraguai em primeio e Brasil em segundo pelo saldo de gols.

Disputariam o quadrangular final Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A tabela programou a disputa entre os primeiros colocados dos grupos para a última rodada do quadrangular, provavelmente esperando que o Brasil, assim como a Argentina, ficasse em primeiro no grupo e disputasse junto com os então campeões mundiais, o título do torneio. Porém o futebol é cheio de surpresas e a última partida do Brasil decidiu o título sim, tornando-se uma espécie de final, mas contra o Uruguai. Os segundos colocados dos grupos se deram melhor no quadrangular decisivo e chegaram na última rodada empatados em tudo. Argentina e Paraguai, os primeiros colocados de seus grupos, não tinham mais chance de título e fizeram um jogo para cumprir tabela.

Brasil e Uruguai novamente decidindo um título no Maracanã. Me lembro bem desse dia. A idéia de um novo Maracanazo 49 anos depois do primeiro me amedrontava. De quebra, a última conquista da seleção ocorrera 19 anos antes, o tri de 1970. Apesar do futebol apresentado pelo Brasil ter melhorado consideravelmente, era a receita para o desapontamento.

Primeira rodada: O primeiro de um grupo enfrentando o segundo do outro. Portanto, a suposta final havia sido adiantada logo para o início da segunda fase. E os segundos aprontaram!

Uruguai 3 x 0 Paraguai




Brasil 2 x 0 Argentina




Jogo Completo



Lance pitoresco: Romário canetando Maradona



Segunda rodada: Confronto entre o primeiro e o segundo do mesmo grupo. Novamente, os segundos se dando melhor e o fim de chances de título para os argentinos e paraguaios.

Uruguai 2 x 0 Argentina - Vejam o lance do chute de Maradona do meio de campo



Brasil 3 x 0 Paraguai




Terceira rodada: Os primeiros colocados dos grupos se enfrentando e os segundos também. Não foi como planejado, mas a decisão ficou para o último jogo. Dia 16 de julho, exatos 49 anos após o Maracanazo, Brasil e Uruguai novamente decidindo um título no Maracanã. Justamente o título da primeira competição oficial disputada no Brasil desde a Copa de 1950. Hoje, provavelmente, as pessoas não entendem porque o título da Copa América de 1989 foi tão importante, mas revendo estes fatos, fica claro.

Argentina 0 x 0 Paraguai




Brasil 1 x 0 Uruguai






Para muitos, conseguimos vingar 1950, afinal de contas as condições, mesmo sendo um torneio continental, não mundial, foram semelhantes. Para outros foi apenas um troco, mas não uma vingança completa, haja visto que o Uruguai nos venceu dentro de casa naquela oportunidade. Para estes últimos a chance de uma vingança bem dada surgiu quatro anos mais tarde na final da Copa América de 1995 realizada no Uruguai, mas... Estes ainda estão esperando a oportunidade.

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